Características Elétrico-Sonoras de todas as fontes
1 - Nokia - Agudíssima
- 3348Hz (G#)
- Hiper Agudo
- senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.1A
Output: 5Volts - 100 mA
2a - Nokia - Aguda
- 1456Hz (F#)
- Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.1A
Output: 5Volts - 100 mA
2b - Genérica - Aguda
- 1309Hz (E)
- Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.1A
Output: 6Volts - 300 mA
3a- Lenox - Médio-Agudo
- 978Hz (B)
- Médio-Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.6A
Output: 5Volts - 2A
3b- Samsung - Médio-Aguda
- 845Hz (G#)
- Médio-Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.2A
Output: 4.2Volts - 400 mA
4a- Nokia - Aguda
- 1037Hz (C)
- Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.15A
Output: 5.7Volts - 800 mA
4b- Nokia - Médio - Drive - OSC
- ?Hz (B)
- Agudo
- Quadrada - Oscilante
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.18A
Output: 5.7Volts - 800 mA
5- Moto - Médio - Triangular
- 613Hz (D#)
- Médio
- Triangular
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.2A
Output: 5Volts - 550 mA
6- Samsung - Média - Quadrada
- 550Hz (C#)
- Médio
- Quadrada
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.15A
Output: 4.75Volts - 550 mA
7- Moto - Aguda - Filtro phaser
- NoiseQuadrado
- Agudo
- Efeito Phaser
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.2A
Output: 5Volts - 550 mA
8- Moto whitenoise rítmica
- WhiteNoise
- Agudo
- Whitenoise
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.15A
Output: 5Volts - 850 mA
9- Moto rítmica
- + - 1000Hz (B) com pedal grave
- Agudo / Grave
- Quadrada Oscilante
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.2A
Output: 5.1Volts - 850 mA
E a transdução, como funciona? O que torna cada campo eletromagnético perceptível sonoramente como mais agudo ou mais grave? A voltagem, a corrente, o tamanho da bobina dentro, o fato dela ser em série ou paralela, original ou genérica?
Experimento 01: Duas fontes idênticas de mesmo Input/Output soam diferentes.
Experimento 02: Fontes com output de voltagem entre 4 e 6 Volts por vezes soam mais graves, por vezes mais agudas. Não há um padrão. Uma fonte de voltagem mais alta e corrente mais baixa pode soar como uma de voltagem mais baixa e corrente mais alta.
Experimento 03: Fontes de input de voltagem identicas não soam identicas.
Conclusão: nenhuma por enquanto. Acho que está relacionado a combinação entre todas as variáveis de input e output + materiais utilizados, componentes, isolamento, tamanho da bobina.
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Jul 13, 2016
Jul 12, 2016
[auto-residência] 2- receber e transmitir por interferência campos eletromagnéticos.
Quais campos eletromagnéticos serão utilizados dessa vez?
Catálogo das fontes de celular / tablet / multi-uso.
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Jul 11, 2016
[auto-residência] 1- Os rádios
As possibilidades de utilização dos radinhos:
1) receber informação transmitida intencionalmente.
Como funcionarão em Belo Horizonte? Rádios AM-BH



1) receber informação transmitida intencionalmente.
Como funcionarão em Belo Horizonte? Rádios AM-BH

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Jul 4, 2016
[auto-residência] Dia 1 - Resistindo a TPM e fingindo estar interessada em minha pesquisa.
Aqui estamos, já que o texto anterior foi de desabafo, vamos trabalhar agora né? Vamos resgatar o que será pesquisado nessa semana. A auto residência foi um ato na verdade desesperado de me conectar com "A Tensão" esse ano. Me dei essa semana de TREGUA de todos os assuntos dramáticos do mundo e da vida para fazer esse trabalho já que é um trabalho que 1-adoro e me acompanhou ao longo de 2015 inúmeras vezes quando ainda em SP, cercada pela rede fértil de música experimental e incentivo-feminista-sonoro e 2- é a única perspectiva de trabalho pago até o segundo semestre.
Agora aqui, descontextualizada em Belo Horizonte, e sobretudo, mais preocupada com minhas próprias investigações e desconstruções afetivo-amorosas do que artístico-musicais, tento me concentrar para realizar esse trabalho tão asincrônico com meu coração/corpo/intelecto nesse momento. Dei uma folheada no blog do processo de criação do trabalho para resgatar algumas motivações e intenções:
- outras relações com tempo, escuta, propostas de escuta.
- o gesto na dimensão da performance (não apenas o que tocar mas como tocar).
- o som e o ruído ampliados no sentido da percepção e do afeto e não da ampliação da percepção forçada pelo aumento do volume.
- o rádio como instrumento sonoro mediador/transdutor de campos eletromagnéticos
- a composição e a performance como estratégia e metodologia de investigação artística de um objeto.
- a partitura como roteiro possível dessa investigação.
Sobre eletromagnetismo e ondas de rádio utilizadas com intenção sonoro/musical:
Agora aqui, descontextualizada em Belo Horizonte, e sobretudo, mais preocupada com minhas próprias investigações e desconstruções afetivo-amorosas do que artístico-musicais, tento me concentrar para realizar esse trabalho tão asincrônico com meu coração/corpo/intelecto nesse momento. Dei uma folheada no blog do processo de criação do trabalho para resgatar algumas motivações e intenções:
- outras relações com tempo, escuta, propostas de escuta.
- o gesto na dimensão da performance (não apenas o que tocar mas como tocar).
- o som e o ruído ampliados no sentido da percepção e do afeto e não da ampliação da percepção forçada pelo aumento do volume.
- o rádio como instrumento sonoro mediador/transdutor de campos eletromagnéticos
- a composição e a performance como estratégia e metodologia de investigação artística de um objeto.
- a partitura como roteiro possível dessa investigação.
- iluminação dos trabalhos/performances
Sobre eletromagnetismo e ondas de rádio utilizadas com intenção sonoro/musical:
Basicamente estamos falando das possibilidades sonoras implicadas no uso de imãs, alto falantes, captadores de guitarra e rádios para escuta e manipulação de sons induzidos por campos eletromagnéticos. Toda corrente elétrica gera um campo eletromagnético ao seu redor. Esse campo magnético é proporcional à intensidade da corrente, isto é, quanto mais intensa for a corrente elétrica que percorre o fio, maior será o campo magnético produzido a sua volta. Ou seja, basicamente se tivermos algum equipamento sonoro capaz de receber a eletricidade gerada via indução eletromagnética ou "sentir" esse campo eletromagnético", podemos sonorizar ou sonificar essa informação. Ouvir a intensidade dos campos que passam pelos equipamentos, fios, circuitos elétricos, lâmpadas, etc. Quais equipamentos sonoros são esses capazes de "sentir" campos eletromagnéticos e transformar suas variações de energia em corrente elétrica, logo, em som? Sim: guitarras, captadores, rádios, alto falantes.
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[auto-residência] dia 1 - TPM anti-criativa
A arte e a música são um privilégio. Não adianta negar. Quem não tem algum tipo de privilegio temporário ou permanente da escala do espaço/tempo/dinheiro não os faz. Não é exatamente sobre ter ou não ter dinheiro porque essa situação pode ser permanentemente/temporariamente resolvida para qualquer um de maneira a abrir uma possibilidade na vida de realizar trabalhos artísticos. Pode ser algo experimental, vital, comercial, militante, desabafante, visceral, técnico, formal, nihilista, etc. O que na minha opinião é um privilégio de se fazer arte/música independente da técnica, estilo, ferramentas, intenções é na verdade a relação com O TEMPO/ESPAÇO físico/emocional. Em qual sentido? No sentido de se conseguir por algum motivo permanente ou temporário gerar um espaço/tempo para criar algo ou se relacionar com alguma idéia.
Criar arte/música não é algo que se faz em 5 minutos, durante um cigarro, depois de um DR relacional, no intervalo de almoço do seu trabalho, enquanto se limpa as fezes do cachorro, do gato, do bebê, da própria bunda. Não há espaço enquanto você se preocupa com as contas da sua mãe, com a saúde da sua tia, com o assassinato do travesti noite passada, com como as pessoas te olham quando você existe na rua, com o dinheiro da semana que vem, com cozinhar algo equilibrado, com as obras de viadutos superfaturadas, com responder o messenger, rulminar o amor que você sentiu noite passada, ouvir os problemas dos amigos na mesa da cozinha, dobrar as roupas que se rebelam contra o feng shui.
O relacionamento com fazer arte/música já começa no processo de se libertar dessas amarras para gerar espaço para refletir e se relacionar com um objeto, um som, um corpo, uma cor, um desejo. A partir daí, se você conseguir gerar espaço/tempo/emocional/físico para se envolver nessa investigação, já considere-se adentrando o universo dos privilegiados. Por outro lado, prepare-se, pois toda a alegria, auto-estima e prazer gerados por essa prática e investigação, em 90% dos casos, cairá por agua a baixo brevemente. Em primeiro lugar porque sempre vai ter alguém que não saberá fazer sua crítica de maneira construtiva e vai de cara detonar sua auto-estima, referências e intenções caso não sejam as mesmas que as delx; em segundo lugar, depois de consumada a pesquisa, aliás, até antes disso, você já se sentirá não beneficiando ninguém além de si mesma (e olhe lá) com essa prática e portanto, vendo apenas futilidade nesse processo; por último, você sentirá raiva das pessoas que conseguem simplesmente realizar arte/música com a consciência limpa/suja e raiva de si mesmx por não ser essa pessoa tranquila, nem temporariamente. Como agora.
BROXANTE
Criar arte/música não é algo que se faz em 5 minutos, durante um cigarro, depois de um DR relacional, no intervalo de almoço do seu trabalho, enquanto se limpa as fezes do cachorro, do gato, do bebê, da própria bunda. Não há espaço enquanto você se preocupa com as contas da sua mãe, com a saúde da sua tia, com o assassinato do travesti noite passada, com como as pessoas te olham quando você existe na rua, com o dinheiro da semana que vem, com cozinhar algo equilibrado, com as obras de viadutos superfaturadas, com responder o messenger, rulminar o amor que você sentiu noite passada, ouvir os problemas dos amigos na mesa da cozinha, dobrar as roupas que se rebelam contra o feng shui.
O relacionamento com fazer arte/música já começa no processo de se libertar dessas amarras para gerar espaço para refletir e se relacionar com um objeto, um som, um corpo, uma cor, um desejo. A partir daí, se você conseguir gerar espaço/tempo/emocional/físico para se envolver nessa investigação, já considere-se adentrando o universo dos privilegiados. Por outro lado, prepare-se, pois toda a alegria, auto-estima e prazer gerados por essa prática e investigação, em 90% dos casos, cairá por agua a baixo brevemente. Em primeiro lugar porque sempre vai ter alguém que não saberá fazer sua crítica de maneira construtiva e vai de cara detonar sua auto-estima, referências e intenções caso não sejam as mesmas que as delx; em segundo lugar, depois de consumada a pesquisa, aliás, até antes disso, você já se sentirá não beneficiando ninguém além de si mesma (e olhe lá) com essa prática e portanto, vendo apenas futilidade nesse processo; por último, você sentirá raiva das pessoas que conseguem simplesmente realizar arte/música com a consciência limpa/suja e raiva de si mesmx por não ser essa pessoa tranquila, nem temporariamente. Como agora.
BROXANTE
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Mar 15, 2015
[Residência] [processo] A Tensão.04 - Radiação e música eletromagnética: experimentações musicais/sonoras/artísticas com rádios e bobinas.
1) receber informação transmitida intencionalmente.
2) receber e transmitir por interferência campos eletromagnéticos.
3) fazer mapeamento de áreas onde ocorrem essas ondas
O rádio é sem sombra de dúvidas o mais popular, low-fi e versátil sensor de ondas eletromagnéticas de todos os tipos! Ele pode tanto receber ondas de rádio naturais como as VLF presentes em tempestades ou fenômenos atmosféricos como as artificiais tipo AM e FM. Outra potencialidade dele é que pode se contaminar via interferência por campos eletromagnéticos de curta distância (como celulares, fontes de energia, transformadores, luzes, etc.).
Logo, o rádio se torna um instrumento muito completo passível de manipulação instrumental intencional (com gestos, articulações, dinâmica, etc) mas também com um adendo importante que é a origem dos sons que o alimentam. O material sonoro é externo e podemos através dele escutar crítica e socialmente a sociedade, fazer recortes em seus discursos, sintonizar ou gerar ruídos e interromper suas mensagens.
1) Experimentos com rádio - receber informação transmitida intencionalmente.
John Cage
Foi um compositor americano (1912-1992) que também era filósofo, escritor e artista. Cage foi pioneiro no uso de indeterminismo na música, música eletroacústica e uso não tradicional de instrumentos musicais. Sendo uma das figuras chave das vanguardas pós-guerra e determinante para as transformações musicais da música da segunda metade do século XX.
"Radio Music" 1956
Durante a década de 50 a televisão era apenas uma criança enquanto o rádio estava chegando ao fim da sua era dourada. Radio Music é uma peça para 8 rádios e foi composta usando combinações de frequências a partir da teoria da probabilidade. A partitura indica 56 frequências diferentes entre 55 e 156kHz, notadas com números e letras. De "A" a "H" os performers seguem uma sequências de sintonias de rádio (números) e silêncio (linhas). Obviamente a cada performance o resultado do conteúdo das estações é diferente.
Performance de Radio Music pela International Contemporary Ensemble
https://vimeo.com/53527521
"Imaginary Landscape No4" 1951
A série de paisagens imaginárias foram escritas para instrumentos tradicionais e instrumentos que requerem eletricidade e a idéia foi criar paisagens imaginárias, porém, ao mesmo tempo, indicadoras de um futuro por vir onde sons urbanos, de instrumentos, eletrônicos e rádios seriam uma paisagem sonora comum nas grandes cidades. Na paisagem número 4 são utilizados somente rádios, um total de 12, tocados por 24 performers (cada dupla toca um rádio). A partitura fornece indicações de sintonia (controlada pelo player 1) e de volume (controlado pelo player 2). As combinações dos dois parâmetros para gerar a peça com articulações de duração e dinâmica foram geradas através de probabilidades extraídas do I Ching. Ou seja, essa peça utiliza de maneira mais tradicional a partitura e os parâmetros musicais, incluindo o pentagrama, a fórmula de compasso e a presença de um regente. Contudo, a cada performance o resultado, como em Radio Music, é diferente porque as estações não são pré definidas e incluem também estações vazias e ruído branco.
Performance Mostra Sounds Like Silence da Hartware MedienKunstVerein de Dortmund.
https://vimeo.com/49007247
FM Keyboard v.1.0 de Vasco Alvo
Um instrumento híbrido de teclado e rádios. 12 rádios são desmontados remontados conectados em uma oitava de um teclado. Cada uma das 12 teclas controla o ligar e desligar dos rádios sintonizados em estações FM. Dessa maneira, ao tocar o teclado você liga e desliga os rádios que cada hora estarão tocando coisas diferentes. Ou seja, você pode usar a tocabilidade ou analogia de notas e acordes para tocar as estações.
FMKeyboard ao vivo.
https://www.youtube.com/watch?v=rTx3P4XbxeY#t=71
2) Receber e transmitir por interferência campos eletromagnéticos.
O comprimento do fio de cobre enrolado nas bobinas é o que afeta sua sensibilidade a diferentes frequências do campo eletromagnético. É por isso que o dial do rádio é ajustável e móvel, para ajustar o comprimento do fio, logo das ondas, que ele vai conseguir sintonizar. Esse conhecimento é importante para compreender a construção artesanal de captadores de campos eletromagnéticos.
As chamadas V.L.F (very low frequenciy) são ondas de rádio naturais-atmosféricas que podem ser captadas e medidas por instrumentos específicos mas também com bobinas feitas em casa. Como são frequências muito graves, ou seja, com comprimento de onda muito grande, é necessário enrolar muitos metros de fios de cobre em um pedaço de madeira grande para gerar a bobina que consegue sintonizar os V.L.F. De aficionados por noise e eletrônica D.I.Y, aos estudiosos de field recording extremo e metereologistas amadores, esse tipo de onda "selvagem" é difícil de ser ouvida pois é encoberta facilmente pelas cidades. É necessário ir locais remotos para ouvir a energia eletromagnética que cruza o céu. A experiência Sui Generis de escuta de ondas V.L.F são as tempestades elétricas, chuva de meteoritos e a aurora boreal.
Lauren Carter e Joe Grimm: experimentos com pipas e V.L.F.
Para ver e ouvir o experimento:
https://www.youtube.com/watch?v=4YgAi4eiU7U
Boas histórias e experimentos dos primórdios da computação musical são as de que se colocavam rádios sobre os processadores dos computadores antigos e eram escritos programas com instruções cíclicas. Esses ciclos eram calculados de maneira a emitir uma sequência de tarefas no processador cuja emissão eletromagnética gerava padrões sonoros que eram captados pelos rádios.
Infelizmente não consegui encontrar exemplos desses aparatos na internet porém, no livro Handmade Electronic Music*, Nicolas Collins menciona a instalação de Gert-Jan Prins e David First na exposição "Sub-V" no laboratório STEIM em Amsterdam como uma recriação dos processos acima.
*Capítulo 1 - Circuit Sniffing: Eavesdropping on Hidden Magnetic Music, pág.15.
3) Fazer mapeamento de equipamentos e rotas na cidade onde ocorrem grandes concentrações dessas ondas.
Por volta dos anos 70 a artista alemã Christina Kubisch começou a usar indução eletromagnética para transmitir campos sonoros em fios que ela organizava em espaços e salas de exibição de maneira a formar labirintos sonoros. Eles eram montados em instalações onde as pessoas caminhavam pelos labirintos com fones especialmente feitos para captar esses campos eletromagnéticos. em 2003 ela deu início a uma outra série de instalações site-specific chamada "Electrical Walks". Dando seguimento a pesquisa de décadas anteriores, os fones agora já bem mais desenvolvidos são utilizados para escutar "marcos sonoros" nas cidades resultantes de sinais eletromagnéticos emanados de fios de energia, postes, maquinaria pesada, portas automáticas, caixas eletrônicos, elevadores, etc. Esses marcos são vasculhados e mapeados e em seguida, experimentados pelas pessoas que com os fones, seguem os mapas das Electrical Walks.
Sound Labyrinths - 1970
E abaixo, as Electrical Walks com mapa:
Mar 11, 2015
[Residência] [processo] A Tensão.03 - sobre eletromagnetismo e ondas de rádio utilizadas com intenção sonoro/musical
Já havia realizado trabalhos antes com radinhos, sensores e outros tipos de imãs para captar campos eletromagnéticos. O que deixou a desejar nesses trabalhos foi a possibilidade de lidar de fato com o som de tais objetos e não apenas com a capacidade de detectar e servir como sensor low-tech de campos eletromagnéticos.
As possibilidades sonoras implicadas no uso de imãs, alto falantes, captadores de guitarra e rádios para escuta e manipulação de sons induzidos por campos eletromagnéticos é infinita e de fato muito utilizada tanto na música experimental, noise, contemporânea quanto nos trabalhos/propostas do campo da arte sonora como as instalações ou caminhadas sonoras.
Primeiro, uma introdução básica:
Campos Eletromagnéticos
Toda corrente elétrica gera um campo eletromagnético ao seu redor. Esse campo magnético é proporcional à intensidade da corrente, isto é, quanto mais intensa for a corrente elétrica que percorre o fio, maior será o campo magnético produzido a sua volta. Alguns geradores utilizam esse princípio para gerar energia induzida magneticamente por um imá, dínamo ou bobina mas também obtemos campos eletromagnéticos resultantes de qualquer movimento de corrente elétrica. Ou seja, basicamente se tivermos algum equipamento sonoro capaz de receber a eletricidade gerada via indução eletromagnética ou "sentir" esse campo eletromagnético", podemos sonorizar ou sonificar essa informação. Ouvir a intensidade dos campos que passam pelos equipamentos, fios, circuitos elétricos, lâmpadas, etc. Quais equipamentos sonoros são esses capazes de "sentir" campos eletromagnéticos e transformar suas variações de energia em corrente elétrica, logo, em som? Sim: guitarras, captadores, rádios, alto falantes, basicamente qualquer equipamento que tenha bobinas e que exista a possibilidade de "puxar" uma saída de audio dela.
Ondas Eletromagnéticas ou ondas de Rádio
As ondas são pulsos energéticos que se propagam no espaço transportando energia e podem ser de dois tipos: mecânicas (como as ondas sonoras) ou eletromagnéticas (como a luz e as ondas de rádio, tv, raio-x, ultrasom). As ondas eletromagnéticas são criadas a partir da interação entre um campo elétrico e um eletromagnético. Elas podem ocorrer naturalmente em fenômenos naturais como tempestades e auroras boreais ou de maneira artificil, partindo de modulações em suas propriedades como amplitude ou frequência, de maneira a serem capazes de carregar informações ou dados. No caso desse exemplo, modulações de amplitude são as famosas rádios AM e modulações na frequências as rádios FM.
TELHARMONIUM ou DYNAMOPHONE (considerado o primeiro sintetizador) - 1897
Era um instrumento com 153 teclas onde cada uma tinha uma "tonewheel" ou bobinas de diferentes tamanhos de maneira que cada uma produzia uma corrente elétrica diferente, ou seja, convertido em ondas sonoras, um tom diferente. Dessa maneira, os tons eram transmitidos por fios e se utlizam cones de papel ou telefones para escutar. Nessa época ainda não existiam alto falantes. Era costume na época transmitir concertos via telefone pois ainda não existia rádio mas já existiam gravações. No entanto, se pode imaginar a quantidade de linhas cruzadas e interferências que aconteciam nesses procedimentos! Além do mais, o Telharmonium pesava 200 toneladas e ocupava todo um andar de um prédio em Nova York, o estúdio de seu inventor Thaddeus Cahill. Os dinamos ficavam no andar de baixo e eram conectados a um teclado no formato orgão no andar de cima, através do qual era controlado.
"Its immense size, weight and power consumption (this being in an age before vacuum tubes had been invented) caused obvious problems. In addition, problems began to arise when telephone broadcasts of Telharmonium music were subject to crosstalk and unsuspecting telephone users would be interrupted by strange electronic music. By 1912, interest in this revolutionary instrument had changed, and Cahill's company was declared not successful in 1914.[3]"
Bobina do Telharmonium

Sala de apresentações com o orgão controlador
Sistema de transmissão dos tons e sinais
Não existe nenhuma gravação do Telharmonioum ou registro do som original. Era descrito como "puro" e "limpo" com tons/notas como as do teclado mas também haviam bobinas extras para acrescentar harmônicos as notas para complexificar o som "puro" estilo flauta, clarinete ou violoncelo que diziam ser o desse instrumentos!
Para mais informações, existe também este documentário não exatamente bom mas informativo:
The Magic Music of The Telharmonioum
THEREMIN
O Theremin foi criado em 1920 pelo físico Leon Theremin como resultado de experiências com sensores de proximidade patrocinadas pelo governo russo. O sucesso do experimento foi tal que Leon saiu em tours pela Rússia, patrocinado por Lenin, para divulgar seu instrumento e consequentemente os avanços da ciência e tecnologia russas. Ele foi para os Estados Unidos e por lá ficou por alguns anos onde o Theremin foi comprado e fabricado pela RCA e partir daí, grandes músicos e musicistas o assumiram como instrumento. A mais famosa delas foi Clara Rockmore, uma virtuosa do violino desde os 5 anos de idade que tocou como ninguém esse instrumento mágico-fantasma como ficou conhecido na época, afinal, é o único instrumento que é tocado sem ser "tocado", encostado.
O princípio original do Theremin são ondas de rádio moduladas por duas antenas. Elas criam um campo eletromagnético que ao ser alterado consegue-se as variações de volume e tom. Essas variações acontecem pelo movimento das mãos se afastando ou aproximando (sem tocar) as antenas.
Clara Rockmore - 1925
Existem vários outros exemplos que utilizam essas tecnologias mas esses dois são os primeiros e mais clássicos! Poderíamos citar também entre os clássicos:
- Terpistone de 1934 (também inventado por Leon Theremin como um theremin para dança, para ser tocado com os pés)
- Ondes-Martenot de 1928
- Electronde de 1929
- Croix Sonore de 1924
Surpreendentemente a página da Wikipedia sobre o Theremin é maravilhosa e contém muuuitos outros exemplos: http://en.wikipedia.org/wiki/Theremin
As possibilidades sonoras implicadas no uso de imãs, alto falantes, captadores de guitarra e rádios para escuta e manipulação de sons induzidos por campos eletromagnéticos é infinita e de fato muito utilizada tanto na música experimental, noise, contemporânea quanto nos trabalhos/propostas do campo da arte sonora como as instalações ou caminhadas sonoras.
Primeiro, uma introdução básica:
Campos Eletromagnéticos
Toda corrente elétrica gera um campo eletromagnético ao seu redor. Esse campo magnético é proporcional à intensidade da corrente, isto é, quanto mais intensa for a corrente elétrica que percorre o fio, maior será o campo magnético produzido a sua volta. Alguns geradores utilizam esse princípio para gerar energia induzida magneticamente por um imá, dínamo ou bobina mas também obtemos campos eletromagnéticos resultantes de qualquer movimento de corrente elétrica. Ou seja, basicamente se tivermos algum equipamento sonoro capaz de receber a eletricidade gerada via indução eletromagnética ou "sentir" esse campo eletromagnético", podemos sonorizar ou sonificar essa informação. Ouvir a intensidade dos campos que passam pelos equipamentos, fios, circuitos elétricos, lâmpadas, etc. Quais equipamentos sonoros são esses capazes de "sentir" campos eletromagnéticos e transformar suas variações de energia em corrente elétrica, logo, em som? Sim: guitarras, captadores, rádios, alto falantes, basicamente qualquer equipamento que tenha bobinas e que exista a possibilidade de "puxar" uma saída de audio dela.
Ondas Eletromagnéticas ou ondas de Rádio
As ondas são pulsos energéticos que se propagam no espaço transportando energia e podem ser de dois tipos: mecânicas (como as ondas sonoras) ou eletromagnéticas (como a luz e as ondas de rádio, tv, raio-x, ultrasom). As ondas eletromagnéticas são criadas a partir da interação entre um campo elétrico e um eletromagnético. Elas podem ocorrer naturalmente em fenômenos naturais como tempestades e auroras boreais ou de maneira artificil, partindo de modulações em suas propriedades como amplitude ou frequência, de maneira a serem capazes de carregar informações ou dados. No caso desse exemplo, modulações de amplitude são as famosas rádios AM e modulações na frequências as rádios FM.
Primeiros instrumentos baseados nesses processos: transformando tons, sinais, corrente elétrica e ondas eletromagnéticas em sons.
O Telharmonioum é o primeiro caso, onde a eletricidade gerada pelo movimento de um dínamo é traduzida em som (notas) a partir da recepção de diferentes variações de voltagem. O segundo caso é o Theremin, que utiliza modulação de campos eletromagnéticos via ondas e antenas de rádio para gerar as notas.TELHARMONIUM ou DYNAMOPHONE (considerado o primeiro sintetizador) - 1897
Era um instrumento com 153 teclas onde cada uma tinha uma "tonewheel" ou bobinas de diferentes tamanhos de maneira que cada uma produzia uma corrente elétrica diferente, ou seja, convertido em ondas sonoras, um tom diferente. Dessa maneira, os tons eram transmitidos por fios e se utlizam cones de papel ou telefones para escutar. Nessa época ainda não existiam alto falantes. Era costume na época transmitir concertos via telefone pois ainda não existia rádio mas já existiam gravações. No entanto, se pode imaginar a quantidade de linhas cruzadas e interferências que aconteciam nesses procedimentos! Além do mais, o Telharmonium pesava 200 toneladas e ocupava todo um andar de um prédio em Nova York, o estúdio de seu inventor Thaddeus Cahill. Os dinamos ficavam no andar de baixo e eram conectados a um teclado no formato orgão no andar de cima, através do qual era controlado.
"Its immense size, weight and power consumption (this being in an age before vacuum tubes had been invented) caused obvious problems. In addition, problems began to arise when telephone broadcasts of Telharmonium music were subject to crosstalk and unsuspecting telephone users would be interrupted by strange electronic music. By 1912, interest in this revolutionary instrument had changed, and Cahill's company was declared not successful in 1914.[3]"
Bobina do Telharmonium

Sala de apresentações com o orgão controlador
Sistema de transmissão dos tons e sinais
Não existe nenhuma gravação do Telharmonioum ou registro do som original. Era descrito como "puro" e "limpo" com tons/notas como as do teclado mas também haviam bobinas extras para acrescentar harmônicos as notas para complexificar o som "puro" estilo flauta, clarinete ou violoncelo que diziam ser o desse instrumentos!
Para mais informações, existe também este documentário não exatamente bom mas informativo:
The Magic Music of The Telharmonioum
THEREMIN
O Theremin foi criado em 1920 pelo físico Leon Theremin como resultado de experiências com sensores de proximidade patrocinadas pelo governo russo. O sucesso do experimento foi tal que Leon saiu em tours pela Rússia, patrocinado por Lenin, para divulgar seu instrumento e consequentemente os avanços da ciência e tecnologia russas. Ele foi para os Estados Unidos e por lá ficou por alguns anos onde o Theremin foi comprado e fabricado pela RCA e partir daí, grandes músicos e musicistas o assumiram como instrumento. A mais famosa delas foi Clara Rockmore, uma virtuosa do violino desde os 5 anos de idade que tocou como ninguém esse instrumento mágico-fantasma como ficou conhecido na época, afinal, é o único instrumento que é tocado sem ser "tocado", encostado.
O princípio original do Theremin são ondas de rádio moduladas por duas antenas. Elas criam um campo eletromagnético que ao ser alterado consegue-se as variações de volume e tom. Essas variações acontecem pelo movimento das mãos se afastando ou aproximando (sem tocar) as antenas.
Clara Rockmore - 1925
Existem vários outros exemplos que utilizam essas tecnologias mas esses dois são os primeiros e mais clássicos! Poderíamos citar também entre os clássicos:
- Terpistone de 1934 (também inventado por Leon Theremin como um theremin para dança, para ser tocado com os pés)
- Ondes-Martenot de 1928
- Electronde de 1929
- Croix Sonore de 1924
Surpreendentemente a página da Wikipedia sobre o Theremin é maravilhosa e contém muuuitos outros exemplos: http://en.wikipedia.org/wiki/Theremin
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Mar 5, 2015
[Residência] [processo] A Tensão.02 - histórico prédio RedBull / subestação Riachuelo
A pesquisa sobre o histórico do prédio da Red Bull foi um dos starts para entender melhor a questão da ex-subestação de energia que aqui se situava. Em cada atelier havia um gerador resultando em um possível ultra campo eletromagnético localizado ao redor de cada um deles. A pesquisa com a sonoridade dos rádios como captadores e "visualizadores" ou sonificadores de campos eletromagnéticos se empobreceria muito caso esse histórico não fosse levado em consideração. A partir dessa pesquisa, interessantes fatos foram revelados sobre a presença da Light em São Paulo em seus primórdios, além da constatação que desde 1930 a cidade já era considerada um ostensivo exemplo de gasto de luz e energia.
São Paulo Trainway Light and Power
Em
7 de abril de 1899,
em Toronto, no Canadá, foi fundada a empresa que em 17 de julho do mesmo ano, foi autorizada, por decreto do
presidente Campos Salles, a atuar no Brasil. Sua atuação em São
Paulo começou no mesmo ano, através da construção da
Usina Hidrelétrica
Edgard de Sousa em
Santana de Parnaíba, concluída em 1901. Posteriormente, então
conhecida somente como Light São Paulo a empresa entra em franca
expansão, passando a operar todos os serviços de geração e
distribuição de energia elétrica, iluminação e os serviços de
bondes elétricos do município de São Paulo, uma revolução para a
época, quando havia apenas bondes puxados a burro.
Entre
1900 e 1930, a Light São Paulo realizou inúmeras obras de expansão
dos serviços de energia elétrica na capital de São Paulo e
municípios vizinhos, construindo em 1908 a represa
de Guarapiranga e
usinas hidrelétricas, como Edgard de Souza e Rasgão, localizadas
no Rio
Tietê,
em Santana do Parnaíba, a 40 quilômetros da capital. Eram obras
necessárias para acompanhar o crescimento econômico e populacional
da cidade e arredores além do consecutivo aumento do consumo de
energia elétrica.
A Light durante seu período áureo era acusada de sufocar concorrentes, como a Companhia Água e Luz, principalmente depois que a Câmara Municipal concedeu a ela o monopólio de todos os serviços elétricos da cidade. No auge da atuação da empresa em São Paulo ela recebeu um apelido satírico, crítico a influência da empresa, que era “Sao Paulo Light & Too Much Power” ou “São Paulo Luz e Poder Demais”. Ainda hoje, pais e avós, que viveram na época da Light, reclamam das elevadas contas de energia elétrica atuais dizendo "vocês acham que eu sou sócio da Light?", numa prova de que o nome da empresa extinta ainda é forte no inconsciente coletivo paulistano.
Aqui tem interessante artigo analisando o monopólio da Light nesse período, dando inclusive insights bem importantes relativos ao uso dos rios e bacias hidrográficas de SP como o próprio Tietê para esgoto, energia e transportes. Questões que desde a época (1900-1920) eram bem polêmicas e causavam prostestos da população.
http://ensaiosfragmentados.blogspot.com.br/2010/05/analise-sao-paulo-tramway-light-and_21.html
Aqui tem interessante artigo analisando o monopólio da Light nesse período, dando inclusive insights bem importantes relativos ao uso dos rios e bacias hidrográficas de SP como o próprio Tietê para esgoto, energia e transportes. Questões que desde a época (1900-1920) eram bem polêmicas e causavam prostestos da população.
http://ensaiosfragmentados.blogspot.com.br/2010/05/analise-sao-paulo-tramway-light-and_21.html
Em
meados da década de 1940, a Light São Paulo encerra os serviços de
transporte público por meio de bondes elétricos, repassando-os à
prefeitura de São Paulo, através da CMTC,
que extinguiria o serviço de bondes no fim dos anos 1960.
Na
década de 70 o contrato de concessão da Light com o governo
federal, válido por 70 anos, expirou. A Light de São Paulo foi
adquirida pelo Governo do Estado de São Paulo em 1981 e renomeada
para Eletropaulo.
Subestação Riachuelo / Red Bull Station
Em
1926 a empresa decidiu criar uma nova subestação na Cidade de São
Paulo para gerenciar a distribuição de energia para os bondes do centro da cidade. O local escolhido foi onde hoje é o encontro da Avenida 23 de
Maio com a Rua Santo Amaro, bem do lado da Praça da Bandeira. Logo
depois de ser inaugurada a unidade passou a ser conhecida como
Subestação Riachuelo, em alusão a Rua Riachuelo. O prédio ficou abandonado dos anos 2000 até 2012.
Em
2000 o Conpresp tombou a fachada do imóvel, para evitar uma
descaracterização ou demolição e desde então ele recebeu muito pouca atenção da
concessionária de energia, raramente recebendo pintura, sendo alvo
de pichações e tendo boa parte de seus vidros quebrados. Os fundos
da subestação se tornaram local de abandono de gatos e por muitos anos
dezenas deles eram vistos por lá ou na calçada (inclusive o sumiço
abrupto dos gatos quando declarada a revitalização do prédio é um
mito urbano na região, ninguém sabe o que aconteceu).
Em 2012 o prédio foi comprado pela Red Bull e após reforma pelo escritório de arquitetura franco-brasileiro Triptyque se transformou na Red Bull Station, projeto cultural da marca que abriga residências artísticas, exposições, estúdio de música e diversos projetos artístico-gastronômicos-musicais.
Fontes:
http://www.saopauloantiga.com.br/subestacao-riachuelo/
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Mar 3, 2015
[Residência] [processo] A Tensão.01
O primeiro trabalho desenvolvido aqui na RedBull foi uma performance chamada "A Tensão". Esse projeto é uma composição eletroacústica que investiga:
1) campos eletromagnéticos de objetos do cotidiano x histórico do prédio da RedBull que até 2004 foi uma estação de distribuição de energia da Light.
2) o rádio como instrumento sonoro mediador/transdutor de campos eletromagnéticos
3) a composição e a performance como estratégia e metodologia de investigação artística de um objeto.
4) a partitura como roteiro possível dessa investigação.
5) a iluminação e filmagem/registro como parte da obra.
Logo mais posts sobre os processos desse trabalho e os itens acima.
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Sep 20, 2010
_Documentação/Diário_parte_06
Metamorfose dos sentidos e o estaleiro Cego
Foram escolhidos os fantasmas magnéticos que vamos caçar pela cidade de salvador. Ainda não sabemos se nossa intenção será delata-los ou descobrirmos áreas que possamos nos proteger de suas presenças. Talvez não seja necessário tomar esse posicionamento uma vez que o fato de expor essas presenças invisíveis já seja assumir uma postura que não queremos ser assombrados sem lenços por documentos. Esses fantasmas estão por todos os lados e habitam a luz, os equipamentos, as comunicações, nossas entradas e saídas de edifícios e portões. Estão no nosso trabalho, no nosso telefone, quando esquentamos nossa comida, quando falamos com os queridos a distância, quando hackeamos hardwares e softwares ou jogamos videogame. Diferentemente dos fantasmas da cabeça e imaginário, talvez estes fantasmas só não habitem nosso sono, nosso escuro, nossos momentos de calma sozinhos e férias na montanha.
Talvez essa atitude de querer encontrá-los também não seja delatora e sim fetichista. Um desejo incontrolável de escutar e ver o invisível, de aprofundar a relação com as energias que cruzam nossos olhares e ouvidos a todo instante, que estimulam e tocam nossos corpos, que soam e revelam mundos proibidos e insalubres escondidos por entre o ar que respiramos, os telefonemas saudosos, as instituições que (des)respeitamos. Lembro-me da escuta pornográfica proposta no texto de Arthur Omar (Da Audição: Satisfação Garantida Ou Seu Silêncio de Volta.) e de repente penso que querer escutar esses fantasmas também é um fetiche. Me lembro dos poetas da recusa selecionados e traduzidos por Augusto de Campo onde ele por vezes, favorece escolhas de tradução baseadas nas sonoridades possíveis entre as linguas, mais do que no sentido do poema. Em um deles o poeta russo Boris Pasternak escreve sobre como convém deixar espaços brancos a beira do papel e das intenções, pois neles estão inscritos capítulos de uma vida inteira. Lembro ainda de uma referência em um livro escrito por Guattari e Deleuze sobre Kafka chamado Por uma literatura menor, explicando o ódio de Kafka a metáfora. Franz era um homem que acreditava em metamorfoses onde homens viram insetos e não em metáforas de homens se comportando como insetos. As vezes gosto de acreditar em metamorfoses possíveis onde escutamos e vemos frequências não humanas por obtermos de repente super poderes eletromagnéticos revelados pela vontade pornográfica e proibida de escutar os sedutores estímulos das torres, dos satélites e dos céus e não o que eles estão comunicando. Qual é seu timbre, seu ritmo, seus (des)harmônicos? Me permito estar exposta ao caos escondido de uma realidade que já me viola independente da minha concessão.
Por último lembro de uma história que me foi contada presente no livro Eupalinos ou o Arquiteto . Nesse livro Sócrates e Fedro falecidos, enquanto almas, conversam sobre perceber espaços. Sócrates conta a historia de um estaleiro Fenício que era conhecido como o melhor construtor de barcos de sua época. O estaleiro era cego e para talhar seus barcos aprendeu a escutar os ventos, o mar e as ondas. Tinha ouvidos tão poderosos que era capaz de com eles devorar monstros e tempestades. Eis que acredito que de repente as relações com o eletromagnetismo e as sonoridades podem deixar de ser uma metáfora de sentido para se transformar em uma metamorfose dos sentidos.
Textos sugeridos por Adriano Mattos
Foram escolhidos os fantasmas magnéticos que vamos caçar pela cidade de salvador. Ainda não sabemos se nossa intenção será delata-los ou descobrirmos áreas que possamos nos proteger de suas presenças. Talvez não seja necessário tomar esse posicionamento uma vez que o fato de expor essas presenças invisíveis já seja assumir uma postura que não queremos ser assombrados sem lenços por documentos. Esses fantasmas estão por todos os lados e habitam a luz, os equipamentos, as comunicações, nossas entradas e saídas de edifícios e portões. Estão no nosso trabalho, no nosso telefone, quando esquentamos nossa comida, quando falamos com os queridos a distância, quando hackeamos hardwares e softwares ou jogamos videogame. Diferentemente dos fantasmas da cabeça e imaginário, talvez estes fantasmas só não habitem nosso sono, nosso escuro, nossos momentos de calma sozinhos e férias na montanha.
Talvez essa atitude de querer encontrá-los também não seja delatora e sim fetichista. Um desejo incontrolável de escutar e ver o invisível, de aprofundar a relação com as energias que cruzam nossos olhares e ouvidos a todo instante, que estimulam e tocam nossos corpos, que soam e revelam mundos proibidos e insalubres escondidos por entre o ar que respiramos, os telefonemas saudosos, as instituições que (des)respeitamos. Lembro-me da escuta pornográfica proposta no texto de Arthur Omar (Da Audição: Satisfação Garantida Ou Seu Silêncio de Volta.) e de repente penso que querer escutar esses fantasmas também é um fetiche. Me lembro dos poetas da recusa selecionados e traduzidos por Augusto de Campo onde ele por vezes, favorece escolhas de tradução baseadas nas sonoridades possíveis entre as linguas, mais do que no sentido do poema. Em um deles o poeta russo Boris Pasternak escreve sobre como convém deixar espaços brancos a beira do papel e das intenções, pois neles estão inscritos capítulos de uma vida inteira. Lembro ainda de uma referência em um livro escrito por Guattari e Deleuze sobre Kafka chamado Por uma literatura menor, explicando o ódio de Kafka a metáfora. Franz era um homem que acreditava em metamorfoses onde homens viram insetos e não em metáforas de homens se comportando como insetos. As vezes gosto de acreditar em metamorfoses possíveis onde escutamos e vemos frequências não humanas por obtermos de repente super poderes eletromagnéticos revelados pela vontade pornográfica e proibida de escutar os sedutores estímulos das torres, dos satélites e dos céus e não o que eles estão comunicando. Qual é seu timbre, seu ritmo, seus (des)harmônicos? Me permito estar exposta ao caos escondido de uma realidade que já me viola independente da minha concessão.
Por último lembro de uma história que me foi contada presente no livro Eupalinos ou o Arquiteto . Nesse livro Sócrates e Fedro falecidos, enquanto almas, conversam sobre perceber espaços. Sócrates conta a historia de um estaleiro Fenício que era conhecido como o melhor construtor de barcos de sua época. O estaleiro era cego e para talhar seus barcos aprendeu a escutar os ventos, o mar e as ondas. Tinha ouvidos tão poderosos que era capaz de com eles devorar monstros e tempestades. Eis que acredito que de repente as relações com o eletromagnetismo e as sonoridades podem deixar de ser uma metáfora de sentido para se transformar em uma metamorfose dos sentidos.
Textos sugeridos por Adriano Mattos
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Sep 19, 2010
_Documentação/Diário_parte_05
ONDE É A SOMBRA DAS EMISSÕES Eletro-Magnéticas?

(os egípcios chamavam o relógio de sol de relógio de sombra)
TEMOS POSSIBILIDADES DE SOMBRAS OU PREPAREMOS NOSSAS GAIOLAS?
Entre os produtos comuns de segurança (anti) eletromagnética estão os medidores de campos EM e algumas outras utilidades para medidas drásticas de proteção!
--> Cortinado anti-microondas e para descanso sem rádio-frequencias

--> Insufilms anti-microondas e RF

--> Tinta anti-campos eletromagnéticos

--> Fone manual-vintage para hands-off celulares

Fonte: EMSafety Store
Identificando e Escutando as fontes emissoras e a radiação: Que Pasa por aqui hombre?
Medidor de densidade de campos de rádio-frequência
(PRO) Detecta campos elétricos de ondas de rádio e micro-ondas de 0,5 Mhz a 3 Ghz, dando um output em 0,001 a 2000 microwatts quadrados de densidade de potência. Esses aparelhos são ideais para detectarem instalações wireless (de computadores e redes de internet a cameras de segurança, escuta, etc) e localizarem fontes de sinais indesejadas como vazamentos de ruído, sinais e transmissões interferente. Os modelos desse detector geralmente tem um display numérico digital que informa a potência da rede detectada (a antena tem que ser direcionada para a fonte), um output de DC que dá um pulso em volts e uma saída de áudio para se ouvir as mudanças no campo. Hummm! As fontes podem ser identificadas pela identidade sonora característica de cada fonte eletromagnética. Por exemplo aquele ruidinho do celular nas suas caixas de som quando ele vai tocar ou receber mensagem.

Profissionais da segurança pessoal e pública utilizam esse equipamento quando instalando dispositivos de segurança, vigilância e monitoramento; para optimizar áreas de comunicação com satélites e outras redes de rádio-frequência; confirmar transmissões, detectar hotspots, etc. Outro usuários incluem também radio-amadores, hobbystas, equipes de segurança de vôo, militares, polícia, construtoras e outras pessoas e equipes envolvidas com manutenção, medidas e detecção de radio frequências e interferências em redes.
High Frequency Sniffer (DIY by Martin Howse)
Detector de rádio-frequências de 100Mhz a 2.4Ghz, com output de áudio demodulado e visor de LED's para níveis. No vídeo abaixo o detector responde a aproximação da câmera de filmagem.
Digital Scanner para Rádio-Frequência e escuta de satélites

Scanner digital que identifica emissões por frequência, diferente dos anteriores que identificam campos eletromagnéticos por potência de emissão! Um exemplo de projeto com gravações realizadas com emissões de satélites bolinha.

Para escutar entre aqui

(os egípcios chamavam o relógio de sol de relógio de sombra)
TEMOS POSSIBILIDADES DE SOMBRAS OU PREPAREMOS NOSSAS GAIOLAS?
Entre os produtos comuns de segurança (anti) eletromagnética estão os medidores de campos EM e algumas outras utilidades para medidas drásticas de proteção!
--> Cortinado anti-microondas e para descanso sem rádio-frequencias

--> Insufilms anti-microondas e RF

--> Tinta anti-campos eletromagnéticos

--> Fone manual-vintage para hands-off celulares

Fonte: EMSafety Store
Identificando e Escutando as fontes emissoras e a radiação: Que Pasa por aqui hombre?
Medidor de densidade de campos de rádio-frequência
(PRO) Detecta campos elétricos de ondas de rádio e micro-ondas de 0,5 Mhz a 3 Ghz, dando um output em 0,001 a 2000 microwatts quadrados de densidade de potência. Esses aparelhos são ideais para detectarem instalações wireless (de computadores e redes de internet a cameras de segurança, escuta, etc) e localizarem fontes de sinais indesejadas como vazamentos de ruído, sinais e transmissões interferente. Os modelos desse detector geralmente tem um display numérico digital que informa a potência da rede detectada (a antena tem que ser direcionada para a fonte), um output de DC que dá um pulso em volts e uma saída de áudio para se ouvir as mudanças no campo. Hummm! As fontes podem ser identificadas pela identidade sonora característica de cada fonte eletromagnética. Por exemplo aquele ruidinho do celular nas suas caixas de som quando ele vai tocar ou receber mensagem.

Profissionais da segurança pessoal e pública utilizam esse equipamento quando instalando dispositivos de segurança, vigilância e monitoramento; para optimizar áreas de comunicação com satélites e outras redes de rádio-frequência; confirmar transmissões, detectar hotspots, etc. Outro usuários incluem também radio-amadores, hobbystas, equipes de segurança de vôo, militares, polícia, construtoras e outras pessoas e equipes envolvidas com manutenção, medidas e detecção de radio frequências e interferências em redes.
High Frequency Sniffer (DIY by Martin Howse)
Detector de rádio-frequências de 100Mhz a 2.4Ghz, com output de áudio demodulado e visor de LED's para níveis. No vídeo abaixo o detector responde a aproximação da câmera de filmagem.
Digital Scanner para Rádio-Frequência e escuta de satélites

Scanner digital que identifica emissões por frequência, diferente dos anteriores que identificam campos eletromagnéticos por potência de emissão! Um exemplo de projeto com gravações realizadas com emissões de satélites bolinha.

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