Características Elétrico-Sonoras de todas as fontes
1 - Nokia - Agudíssima
- 3348Hz (G#)
- Hiper Agudo
- senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.1A
Output: 5Volts - 100 mA
2a - Nokia - Aguda
- 1456Hz (F#)
- Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.1A
Output: 5Volts - 100 mA
2b - Genérica - Aguda
- 1309Hz (E)
- Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.1A
Output: 6Volts - 300 mA
3a- Lenox - Médio-Agudo
- 978Hz (B)
- Médio-Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.6A
Output: 5Volts - 2A
3b- Samsung - Médio-Aguda
- 845Hz (G#)
- Médio-Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.2A
Output: 4.2Volts - 400 mA
4a- Nokia - Aguda
- 1037Hz (C)
- Agudo
- Senoidal
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.15A
Output: 5.7Volts - 800 mA
4b- Nokia - Médio - Drive - OSC
- ?Hz (B)
- Agudo
- Quadrada - Oscilante
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.18A
Output: 5.7Volts - 800 mA
5- Moto - Médio - Triangular
- 613Hz (D#)
- Médio
- Triangular
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.2A
Output: 5Volts - 550 mA
6- Samsung - Média - Quadrada
- 550Hz (C#)
- Médio
- Quadrada
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.15A
Output: 4.75Volts - 550 mA
7- Moto - Aguda - Filtro phaser
- NoiseQuadrado
- Agudo
- Efeito Phaser
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.2A
Output: 5Volts - 550 mA
8- Moto whitenoise rítmica
- WhiteNoise
- Agudo
- Whitenoise
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.15A
Output: 5Volts - 850 mA
9- Moto rítmica
- + - 1000Hz (B) com pedal grave
- Agudo / Grave
- Quadrada Oscilante
Input: Bivolt - 50/60Hz - 0.2A
Output: 5.1Volts - 850 mA
E a transdução, como funciona? O que torna cada campo eletromagnético perceptível sonoramente como mais agudo ou mais grave? A voltagem, a corrente, o tamanho da bobina dentro, o fato dela ser em série ou paralela, original ou genérica?
Experimento 01: Duas fontes idênticas de mesmo Input/Output soam diferentes.
Experimento 02: Fontes com output de voltagem entre 4 e 6 Volts por vezes soam mais graves, por vezes mais agudas. Não há um padrão. Uma fonte de voltagem mais alta e corrente mais baixa pode soar como uma de voltagem mais baixa e corrente mais alta.
Experimento 03: Fontes de input de voltagem identicas não soam identicas.
Conclusão: nenhuma por enquanto. Acho que está relacionado a combinação entre todas as variáveis de input e output + materiais utilizados, componentes, isolamento, tamanho da bobina.
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Jul 13, 2016
Jul 12, 2016
[auto-residência] 2- receber e transmitir por interferência campos eletromagnéticos.
Quais campos eletromagnéticos serão utilizados dessa vez?
Catálogo das fontes de celular / tablet / multi-uso.
Catálogo das fontes de celular / tablet / multi-uso.
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pesquisa,
radio
Jul 11, 2016
[auto-residência] 1- Os rádios
As possibilidades de utilização dos radinhos:
1) receber informação transmitida intencionalmente.
Como funcionarão em Belo Horizonte? Rádios AM-BH



1) receber informação transmitida intencionalmente.
Como funcionarão em Belo Horizonte? Rádios AM-BH

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Mar 15, 2015
[Residência] [processo] A Tensão.04 - Radiação e música eletromagnética: experimentações musicais/sonoras/artísticas com rádios e bobinas.
1) receber informação transmitida intencionalmente.
2) receber e transmitir por interferência campos eletromagnéticos.
3) fazer mapeamento de áreas onde ocorrem essas ondas
O rádio é sem sombra de dúvidas o mais popular, low-fi e versátil sensor de ondas eletromagnéticas de todos os tipos! Ele pode tanto receber ondas de rádio naturais como as VLF presentes em tempestades ou fenômenos atmosféricos como as artificiais tipo AM e FM. Outra potencialidade dele é que pode se contaminar via interferência por campos eletromagnéticos de curta distância (como celulares, fontes de energia, transformadores, luzes, etc.).
Logo, o rádio se torna um instrumento muito completo passível de manipulação instrumental intencional (com gestos, articulações, dinâmica, etc) mas também com um adendo importante que é a origem dos sons que o alimentam. O material sonoro é externo e podemos através dele escutar crítica e socialmente a sociedade, fazer recortes em seus discursos, sintonizar ou gerar ruídos e interromper suas mensagens.
1) Experimentos com rádio - receber informação transmitida intencionalmente.
John Cage
Foi um compositor americano (1912-1992) que também era filósofo, escritor e artista. Cage foi pioneiro no uso de indeterminismo na música, música eletroacústica e uso não tradicional de instrumentos musicais. Sendo uma das figuras chave das vanguardas pós-guerra e determinante para as transformações musicais da música da segunda metade do século XX.
"Radio Music" 1956
Durante a década de 50 a televisão era apenas uma criança enquanto o rádio estava chegando ao fim da sua era dourada. Radio Music é uma peça para 8 rádios e foi composta usando combinações de frequências a partir da teoria da probabilidade. A partitura indica 56 frequências diferentes entre 55 e 156kHz, notadas com números e letras. De "A" a "H" os performers seguem uma sequências de sintonias de rádio (números) e silêncio (linhas). Obviamente a cada performance o resultado do conteúdo das estações é diferente.
Performance de Radio Music pela International Contemporary Ensemble
https://vimeo.com/53527521
"Imaginary Landscape No4" 1951
A série de paisagens imaginárias foram escritas para instrumentos tradicionais e instrumentos que requerem eletricidade e a idéia foi criar paisagens imaginárias, porém, ao mesmo tempo, indicadoras de um futuro por vir onde sons urbanos, de instrumentos, eletrônicos e rádios seriam uma paisagem sonora comum nas grandes cidades. Na paisagem número 4 são utilizados somente rádios, um total de 12, tocados por 24 performers (cada dupla toca um rádio). A partitura fornece indicações de sintonia (controlada pelo player 1) e de volume (controlado pelo player 2). As combinações dos dois parâmetros para gerar a peça com articulações de duração e dinâmica foram geradas através de probabilidades extraídas do I Ching. Ou seja, essa peça utiliza de maneira mais tradicional a partitura e os parâmetros musicais, incluindo o pentagrama, a fórmula de compasso e a presença de um regente. Contudo, a cada performance o resultado, como em Radio Music, é diferente porque as estações não são pré definidas e incluem também estações vazias e ruído branco.
Performance Mostra Sounds Like Silence da Hartware MedienKunstVerein de Dortmund.
https://vimeo.com/49007247
FM Keyboard v.1.0 de Vasco Alvo
Um instrumento híbrido de teclado e rádios. 12 rádios são desmontados remontados conectados em uma oitava de um teclado. Cada uma das 12 teclas controla o ligar e desligar dos rádios sintonizados em estações FM. Dessa maneira, ao tocar o teclado você liga e desliga os rádios que cada hora estarão tocando coisas diferentes. Ou seja, você pode usar a tocabilidade ou analogia de notas e acordes para tocar as estações.
FMKeyboard ao vivo.
https://www.youtube.com/watch?v=rTx3P4XbxeY#t=71
2) Receber e transmitir por interferência campos eletromagnéticos.
O comprimento do fio de cobre enrolado nas bobinas é o que afeta sua sensibilidade a diferentes frequências do campo eletromagnético. É por isso que o dial do rádio é ajustável e móvel, para ajustar o comprimento do fio, logo das ondas, que ele vai conseguir sintonizar. Esse conhecimento é importante para compreender a construção artesanal de captadores de campos eletromagnéticos.
As chamadas V.L.F (very low frequenciy) são ondas de rádio naturais-atmosféricas que podem ser captadas e medidas por instrumentos específicos mas também com bobinas feitas em casa. Como são frequências muito graves, ou seja, com comprimento de onda muito grande, é necessário enrolar muitos metros de fios de cobre em um pedaço de madeira grande para gerar a bobina que consegue sintonizar os V.L.F. De aficionados por noise e eletrônica D.I.Y, aos estudiosos de field recording extremo e metereologistas amadores, esse tipo de onda "selvagem" é difícil de ser ouvida pois é encoberta facilmente pelas cidades. É necessário ir locais remotos para ouvir a energia eletromagnética que cruza o céu. A experiência Sui Generis de escuta de ondas V.L.F são as tempestades elétricas, chuva de meteoritos e a aurora boreal.
Lauren Carter e Joe Grimm: experimentos com pipas e V.L.F.
Para ver e ouvir o experimento:
https://www.youtube.com/watch?v=4YgAi4eiU7U
Boas histórias e experimentos dos primórdios da computação musical são as de que se colocavam rádios sobre os processadores dos computadores antigos e eram escritos programas com instruções cíclicas. Esses ciclos eram calculados de maneira a emitir uma sequência de tarefas no processador cuja emissão eletromagnética gerava padrões sonoros que eram captados pelos rádios.
Infelizmente não consegui encontrar exemplos desses aparatos na internet porém, no livro Handmade Electronic Music*, Nicolas Collins menciona a instalação de Gert-Jan Prins e David First na exposição "Sub-V" no laboratório STEIM em Amsterdam como uma recriação dos processos acima.
*Capítulo 1 - Circuit Sniffing: Eavesdropping on Hidden Magnetic Music, pág.15.
3) Fazer mapeamento de equipamentos e rotas na cidade onde ocorrem grandes concentrações dessas ondas.
Por volta dos anos 70 a artista alemã Christina Kubisch começou a usar indução eletromagnética para transmitir campos sonoros em fios que ela organizava em espaços e salas de exibição de maneira a formar labirintos sonoros. Eles eram montados em instalações onde as pessoas caminhavam pelos labirintos com fones especialmente feitos para captar esses campos eletromagnéticos. em 2003 ela deu início a uma outra série de instalações site-specific chamada "Electrical Walks". Dando seguimento a pesquisa de décadas anteriores, os fones agora já bem mais desenvolvidos são utilizados para escutar "marcos sonoros" nas cidades resultantes de sinais eletromagnéticos emanados de fios de energia, postes, maquinaria pesada, portas automáticas, caixas eletrônicos, elevadores, etc. Esses marcos são vasculhados e mapeados e em seguida, experimentados pelas pessoas que com os fones, seguem os mapas das Electrical Walks.
Sound Labyrinths - 1970
E abaixo, as Electrical Walks com mapa:
Mar 11, 2015
[Residência] [processo] A Tensão.03 - sobre eletromagnetismo e ondas de rádio utilizadas com intenção sonoro/musical
Já havia realizado trabalhos antes com radinhos, sensores e outros tipos de imãs para captar campos eletromagnéticos. O que deixou a desejar nesses trabalhos foi a possibilidade de lidar de fato com o som de tais objetos e não apenas com a capacidade de detectar e servir como sensor low-tech de campos eletromagnéticos.
As possibilidades sonoras implicadas no uso de imãs, alto falantes, captadores de guitarra e rádios para escuta e manipulação de sons induzidos por campos eletromagnéticos é infinita e de fato muito utilizada tanto na música experimental, noise, contemporânea quanto nos trabalhos/propostas do campo da arte sonora como as instalações ou caminhadas sonoras.
Primeiro, uma introdução básica:
Campos Eletromagnéticos
Toda corrente elétrica gera um campo eletromagnético ao seu redor. Esse campo magnético é proporcional à intensidade da corrente, isto é, quanto mais intensa for a corrente elétrica que percorre o fio, maior será o campo magnético produzido a sua volta. Alguns geradores utilizam esse princípio para gerar energia induzida magneticamente por um imá, dínamo ou bobina mas também obtemos campos eletromagnéticos resultantes de qualquer movimento de corrente elétrica. Ou seja, basicamente se tivermos algum equipamento sonoro capaz de receber a eletricidade gerada via indução eletromagnética ou "sentir" esse campo eletromagnético", podemos sonorizar ou sonificar essa informação. Ouvir a intensidade dos campos que passam pelos equipamentos, fios, circuitos elétricos, lâmpadas, etc. Quais equipamentos sonoros são esses capazes de "sentir" campos eletromagnéticos e transformar suas variações de energia em corrente elétrica, logo, em som? Sim: guitarras, captadores, rádios, alto falantes, basicamente qualquer equipamento que tenha bobinas e que exista a possibilidade de "puxar" uma saída de audio dela.
Ondas Eletromagnéticas ou ondas de Rádio
As ondas são pulsos energéticos que se propagam no espaço transportando energia e podem ser de dois tipos: mecânicas (como as ondas sonoras) ou eletromagnéticas (como a luz e as ondas de rádio, tv, raio-x, ultrasom). As ondas eletromagnéticas são criadas a partir da interação entre um campo elétrico e um eletromagnético. Elas podem ocorrer naturalmente em fenômenos naturais como tempestades e auroras boreais ou de maneira artificil, partindo de modulações em suas propriedades como amplitude ou frequência, de maneira a serem capazes de carregar informações ou dados. No caso desse exemplo, modulações de amplitude são as famosas rádios AM e modulações na frequências as rádios FM.
TELHARMONIUM ou DYNAMOPHONE (considerado o primeiro sintetizador) - 1897
Era um instrumento com 153 teclas onde cada uma tinha uma "tonewheel" ou bobinas de diferentes tamanhos de maneira que cada uma produzia uma corrente elétrica diferente, ou seja, convertido em ondas sonoras, um tom diferente. Dessa maneira, os tons eram transmitidos por fios e se utlizam cones de papel ou telefones para escutar. Nessa época ainda não existiam alto falantes. Era costume na época transmitir concertos via telefone pois ainda não existia rádio mas já existiam gravações. No entanto, se pode imaginar a quantidade de linhas cruzadas e interferências que aconteciam nesses procedimentos! Além do mais, o Telharmonium pesava 200 toneladas e ocupava todo um andar de um prédio em Nova York, o estúdio de seu inventor Thaddeus Cahill. Os dinamos ficavam no andar de baixo e eram conectados a um teclado no formato orgão no andar de cima, através do qual era controlado.
"Its immense size, weight and power consumption (this being in an age before vacuum tubes had been invented) caused obvious problems. In addition, problems began to arise when telephone broadcasts of Telharmonium music were subject to crosstalk and unsuspecting telephone users would be interrupted by strange electronic music. By 1912, interest in this revolutionary instrument had changed, and Cahill's company was declared not successful in 1914.[3]"
Bobina do Telharmonium

Sala de apresentações com o orgão controlador
Sistema de transmissão dos tons e sinais
Não existe nenhuma gravação do Telharmonioum ou registro do som original. Era descrito como "puro" e "limpo" com tons/notas como as do teclado mas também haviam bobinas extras para acrescentar harmônicos as notas para complexificar o som "puro" estilo flauta, clarinete ou violoncelo que diziam ser o desse instrumentos!
Para mais informações, existe também este documentário não exatamente bom mas informativo:
The Magic Music of The Telharmonioum
THEREMIN
O Theremin foi criado em 1920 pelo físico Leon Theremin como resultado de experiências com sensores de proximidade patrocinadas pelo governo russo. O sucesso do experimento foi tal que Leon saiu em tours pela Rússia, patrocinado por Lenin, para divulgar seu instrumento e consequentemente os avanços da ciência e tecnologia russas. Ele foi para os Estados Unidos e por lá ficou por alguns anos onde o Theremin foi comprado e fabricado pela RCA e partir daí, grandes músicos e musicistas o assumiram como instrumento. A mais famosa delas foi Clara Rockmore, uma virtuosa do violino desde os 5 anos de idade que tocou como ninguém esse instrumento mágico-fantasma como ficou conhecido na época, afinal, é o único instrumento que é tocado sem ser "tocado", encostado.
O princípio original do Theremin são ondas de rádio moduladas por duas antenas. Elas criam um campo eletromagnético que ao ser alterado consegue-se as variações de volume e tom. Essas variações acontecem pelo movimento das mãos se afastando ou aproximando (sem tocar) as antenas.
Clara Rockmore - 1925
Existem vários outros exemplos que utilizam essas tecnologias mas esses dois são os primeiros e mais clássicos! Poderíamos citar também entre os clássicos:
- Terpistone de 1934 (também inventado por Leon Theremin como um theremin para dança, para ser tocado com os pés)
- Ondes-Martenot de 1928
- Electronde de 1929
- Croix Sonore de 1924
Surpreendentemente a página da Wikipedia sobre o Theremin é maravilhosa e contém muuuitos outros exemplos: http://en.wikipedia.org/wiki/Theremin
As possibilidades sonoras implicadas no uso de imãs, alto falantes, captadores de guitarra e rádios para escuta e manipulação de sons induzidos por campos eletromagnéticos é infinita e de fato muito utilizada tanto na música experimental, noise, contemporânea quanto nos trabalhos/propostas do campo da arte sonora como as instalações ou caminhadas sonoras.
Primeiro, uma introdução básica:
Campos Eletromagnéticos
Toda corrente elétrica gera um campo eletromagnético ao seu redor. Esse campo magnético é proporcional à intensidade da corrente, isto é, quanto mais intensa for a corrente elétrica que percorre o fio, maior será o campo magnético produzido a sua volta. Alguns geradores utilizam esse princípio para gerar energia induzida magneticamente por um imá, dínamo ou bobina mas também obtemos campos eletromagnéticos resultantes de qualquer movimento de corrente elétrica. Ou seja, basicamente se tivermos algum equipamento sonoro capaz de receber a eletricidade gerada via indução eletromagnética ou "sentir" esse campo eletromagnético", podemos sonorizar ou sonificar essa informação. Ouvir a intensidade dos campos que passam pelos equipamentos, fios, circuitos elétricos, lâmpadas, etc. Quais equipamentos sonoros são esses capazes de "sentir" campos eletromagnéticos e transformar suas variações de energia em corrente elétrica, logo, em som? Sim: guitarras, captadores, rádios, alto falantes, basicamente qualquer equipamento que tenha bobinas e que exista a possibilidade de "puxar" uma saída de audio dela.
Ondas Eletromagnéticas ou ondas de Rádio
As ondas são pulsos energéticos que se propagam no espaço transportando energia e podem ser de dois tipos: mecânicas (como as ondas sonoras) ou eletromagnéticas (como a luz e as ondas de rádio, tv, raio-x, ultrasom). As ondas eletromagnéticas são criadas a partir da interação entre um campo elétrico e um eletromagnético. Elas podem ocorrer naturalmente em fenômenos naturais como tempestades e auroras boreais ou de maneira artificil, partindo de modulações em suas propriedades como amplitude ou frequência, de maneira a serem capazes de carregar informações ou dados. No caso desse exemplo, modulações de amplitude são as famosas rádios AM e modulações na frequências as rádios FM.
Primeiros instrumentos baseados nesses processos: transformando tons, sinais, corrente elétrica e ondas eletromagnéticas em sons.
O Telharmonioum é o primeiro caso, onde a eletricidade gerada pelo movimento de um dínamo é traduzida em som (notas) a partir da recepção de diferentes variações de voltagem. O segundo caso é o Theremin, que utiliza modulação de campos eletromagnéticos via ondas e antenas de rádio para gerar as notas.TELHARMONIUM ou DYNAMOPHONE (considerado o primeiro sintetizador) - 1897
Era um instrumento com 153 teclas onde cada uma tinha uma "tonewheel" ou bobinas de diferentes tamanhos de maneira que cada uma produzia uma corrente elétrica diferente, ou seja, convertido em ondas sonoras, um tom diferente. Dessa maneira, os tons eram transmitidos por fios e se utlizam cones de papel ou telefones para escutar. Nessa época ainda não existiam alto falantes. Era costume na época transmitir concertos via telefone pois ainda não existia rádio mas já existiam gravações. No entanto, se pode imaginar a quantidade de linhas cruzadas e interferências que aconteciam nesses procedimentos! Além do mais, o Telharmonium pesava 200 toneladas e ocupava todo um andar de um prédio em Nova York, o estúdio de seu inventor Thaddeus Cahill. Os dinamos ficavam no andar de baixo e eram conectados a um teclado no formato orgão no andar de cima, através do qual era controlado.
"Its immense size, weight and power consumption (this being in an age before vacuum tubes had been invented) caused obvious problems. In addition, problems began to arise when telephone broadcasts of Telharmonium music were subject to crosstalk and unsuspecting telephone users would be interrupted by strange electronic music. By 1912, interest in this revolutionary instrument had changed, and Cahill's company was declared not successful in 1914.[3]"
Bobina do Telharmonium

Sala de apresentações com o orgão controlador
Sistema de transmissão dos tons e sinais
Não existe nenhuma gravação do Telharmonioum ou registro do som original. Era descrito como "puro" e "limpo" com tons/notas como as do teclado mas também haviam bobinas extras para acrescentar harmônicos as notas para complexificar o som "puro" estilo flauta, clarinete ou violoncelo que diziam ser o desse instrumentos!
Para mais informações, existe também este documentário não exatamente bom mas informativo:
The Magic Music of The Telharmonioum
THEREMIN
O Theremin foi criado em 1920 pelo físico Leon Theremin como resultado de experiências com sensores de proximidade patrocinadas pelo governo russo. O sucesso do experimento foi tal que Leon saiu em tours pela Rússia, patrocinado por Lenin, para divulgar seu instrumento e consequentemente os avanços da ciência e tecnologia russas. Ele foi para os Estados Unidos e por lá ficou por alguns anos onde o Theremin foi comprado e fabricado pela RCA e partir daí, grandes músicos e musicistas o assumiram como instrumento. A mais famosa delas foi Clara Rockmore, uma virtuosa do violino desde os 5 anos de idade que tocou como ninguém esse instrumento mágico-fantasma como ficou conhecido na época, afinal, é o único instrumento que é tocado sem ser "tocado", encostado.
O princípio original do Theremin são ondas de rádio moduladas por duas antenas. Elas criam um campo eletromagnético que ao ser alterado consegue-se as variações de volume e tom. Essas variações acontecem pelo movimento das mãos se afastando ou aproximando (sem tocar) as antenas.
Clara Rockmore - 1925
Existem vários outros exemplos que utilizam essas tecnologias mas esses dois são os primeiros e mais clássicos! Poderíamos citar também entre os clássicos:
- Terpistone de 1934 (também inventado por Leon Theremin como um theremin para dança, para ser tocado com os pés)
- Ondes-Martenot de 1928
- Electronde de 1929
- Croix Sonore de 1924
Surpreendentemente a página da Wikipedia sobre o Theremin é maravilhosa e contém muuuitos outros exemplos: http://en.wikipedia.org/wiki/Theremin
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Mar 3, 2015
[Residência] [processo] A Tensão.01
O primeiro trabalho desenvolvido aqui na RedBull foi uma performance chamada "A Tensão". Esse projeto é uma composição eletroacústica que investiga:
1) campos eletromagnéticos de objetos do cotidiano x histórico do prédio da RedBull que até 2004 foi uma estação de distribuição de energia da Light.
2) o rádio como instrumento sonoro mediador/transdutor de campos eletromagnéticos
3) a composição e a performance como estratégia e metodologia de investigação artística de um objeto.
4) a partitura como roteiro possível dessa investigação.
5) a iluminação e filmagem/registro como parte da obra.
Logo mais posts sobre os processos desse trabalho e os itens acima.
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Apr 4, 2010
Ciclo.vista de Noite In.Vento (e Escuto)
Imagem: divulgação CiclovistaCiclo.Vista de Noite In.Vento foi um projeto contemplado pela FUNARTE no edital Interações Estéticas - Residências Artísticas em Pontos de Cultura 2009. O projeto foi idealizado por Aruan Mattos e Flavia Regaldo, e realizado junto ao Ponto de Cultura do Arraial da Boa Morte (distrito de Belo Vale, próximo a Belo Horizonte). Ciclo.Vista propõe uma experimentação através da criação e instalação de uma escultura cinética: um projetor de slides artesanal movido pelo vento, na praça central do Arraial da Boa Morte - o In.Vento.
Imagem: divulgação CiclovistaO projeto procurou levantar um questionamento crítico sobre o desenvolvimento do Arraial, a partir de um projeto artístico que trabalhou questões da imagem, tempo e memória, realizando atividades e oficinas com os moradores locais.
Imagem: resultados da oficina de fotografia do projeto Ciclovista.O In.Vento foi concebido como símbolo da passagem temporal em foco. A instalação permanente do maquinário permite um jogo de ações e interações com o espaço físico.Foram criados 3 conjuntos de 50 fotografias em slide, com tópicos diferentes, mas permeando sobre o mesmo conceito: o tempo. As fotografias foram realizadas pelos alunos abordando as 3 temáticas: o espaço estrutural e arquitetônico do arraial, os personagens e as suas memórias, e a vivência do cotidiano.
Imagem: resultados da oficina de fotografia do projeto Ciclovista.
Imagem: resultados da oficina de fotografia do projeto Ciclovista.Na semana final, antes da inauguração do projeto passei por um processo de imersão gravando os diversos sons da natureza local bem como as atividades musicais dos grupos do arraial. Essas incluíam coral e grupo de tambores que pesquisam ritmos afro-mineiros, capoeira e atividades religiosas. No dia da apresentação e inauguração do In.Vento houve uma performance sonora composta pelos sons gravados ao longo da semana e uma instalação com 6 microfones de contato colados a estrutura interna e externa do catavento. Com isso, revelou-se a vida sonora da estrutura movida ao vento em tempo real, resultando em elementos percussivos sujeitos a rotação das palhetas e ranger dos rolamentos que moviam a roda de slides. Alem dos elementos em tempo real do catavento e as paisagens sonoras manipuladas na hora a composição sonora contou com a participação de Vitor Silva que improvisou com um trompete e um metalofone sopros do vale.
Um pequeno vídeo da finalização da montagem do catavento junto a locação dos microfones de contato:
Depois do evento, foi organizado para a comunidade na igreja local, por ideia dos próprios moradores, uma apresentação de todas as gravações realizadas para o documentário. Fazia uma noite estrelada la fora quando dentro da igreja os cantos dos escravos, das racas, das mandingas, da capoeira angola e dos músicos locais soaram de dentro para fora. A experiencia de poder tocar as minhas peças em um local acusticamente tao interessante foi incrível, bem como a experiencia coletiva de estar em uma comunidade quilombola, ouvindo os cantos dos escravos ecoando em alto e bom som dentro daquele território que por seculos e seculos não permitiu que certas eles participassem dos rituais.
O resultado sonoro tanto da apresentação, quanto das gravações dos grupos musicais e paisagem sonora do arraial podem ser ouvidos no curta/documentário sonoro no player abaixo e está disponível para download.
Imagem:Karoline MeloEm breve estarão disponiveis tambem para acesso online e download o documentario registrado na ultima semana do projeto juntamente com todas as faixas do CD de registros sonoros. Agradecimento especial para Aruan, Flavia, a comunidade de Boa Morte, o pessoal da APHA de Belo Vale e os amigos que estiveram presentes ajudando nas oficinas, registros, performance, etc.
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